quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

27. O Café e a Realidade. O Leite e o Amor

Quando eu era criança, tinha uma mulher velha que jogava um palito de fósforo aceso no café e via o futuro na mancha que fazia quando o palito apagava... sempre me levavam lá pra tirar "quebrante".
Ficava numa rua próxima ao meu antigo condomínio, acho!
Uma vez eu tomei um fora na escola e chorei em casa, minha mãe achou que era "quebrante".
A velha jogou o fósforo e falou que era amor.
No dia seguinte foi a mesma merda, coloquei a culpa na velha!
Depois, com o tempo, descobri que o problema era o café, porque café não tem nada a ver com amor.
Café desce quente e te deixa ligado.
Amor não.
Amor é tipo leite, tem prazo de validade curto e azeda muito rápido.
O longa vida tem conservante, uma mentira embalada.
Só parece seguro porquê está em uma caixinha.
Depois que abre, é igual a qualquer outro.
Até hoje não sei como chorei por aquela ridícula da escola, ela nem era isso tudo!
Amor é tipo isso, derivado de leite com embalagem bonita na geladeira do mercado.
Você quer muito, às vezes fica doente de vontade, mas depois que bebe, vê que nem foi tudo aquilo.
E sem as embalagens, no fundo, iogurte, queijo, manteiga, é tudo a mesma merda.
Fica lá em você, boiando até sumir.
Teu corpo absorve o bom, e o ruim vai embora com o tempo!

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